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DRAGAGEM DO PORTO DE SANTOS
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DRAGAGEM::

Resultados de cinco programas da dragagem são apresentados para APA Centro

Na reunião, ficou acertado que a instituição receberá cópia de relatório

Os resultados obtidos por cinco dos 24 programas de monitoramento ambiental da Dragagem de Aprofundamento do Canal de Acesso ao Porto de Santos foram apresentados aos conselheiros da Área de Proteção Ambiental Marinha Centro (APAMC). Na reunião, que aconteceu no dia 14 de setembro, no auditório do Instituto de Pesca, ficou acertado que a instituição receberá cópia do Relatório Consolidado dos seis primeiros meses da obra. O documento contém, em detalhes, todo o trabalho executado para o acompanhamento do empreendimento.

Antes das equipes de monitoramento mostrarem os resultados, a gerente de controle ambiental da CODESP, Márcia Jovito, informou aos participantes da reunião que, por indicação do IBAMA, a dragagem de aprofundamento foi dividida em quatro trechos, da Barra até a Alemoa. Três já foram liberados pelo órgão. A autorização para a execução do quarto, localizado no canal da Usiminas, ainda está sendo analisada.

Márcia explicou, também, que o atraso para o término do primeiro trecho da obra, que deveria durar 28 dias, ocorreu devido ao mau tempo, objetos metálicos encontrados no canal que estão sendo analisados, além do assoreamento. Embora não tenha confirmado a data para o término dos três trechos, informou que a partir do mês de outubro terá início a dragagem da terceira etapa.

Quando questionada pelo gestor da APAM Centro, Marcos Campolim, se a CODESP continuará realizando a dragagem de manutenção na área aprofundada, Márcia Jovito afirmou que para isso, será apresentado um novo pedido de licenciamento para a Cetesb.

Programas de Monitoramento

O oceanógrafo Roberto Ávila Bernardes, da Fundação de Estudos e Pesquisas Aquática (FUNDESPA), instituição contratada pela CODESP para a coordenação dos Programas de Monitoramente Ambiental explicou aos conselheiros da APAM Centro que seriam apresentados os programas que explicam melhor qual a influência da dragagem na região costeira.

Sendo assim, o oceanógrafo André Paim Ferraz, consultor da FUNDESPA, responsável pelo Programa de Modelagem Operacional da Pluma de Sedimentos, demonstrou como são fornecidas as previsões meteorológicas e oceanográficas que dão suporte às operações de dragagem e descarte na região da Baía de Santos e zona costeira adjacente.

Para as previsões são realizadas coletas de dados ambientais (vento, maré, ondas e correntes) que geram a caracterização dos padrões de circulação e transporte nas áreas costeiras e a validação dos modelos hidrodinâmico e da dispersão da pluma de sedimentos. A metodologia empregada determina as contribuições dos diferentes processos envolvidos na região (influência do regime de ventos, maré, e contribuição direta e remota da dinâmica costeira).

Paim apresentou, ainda, o modelo emitido do boletim diário com a previsão meteorológica e oceanográfica para três e sete dias. Esse material é encaminhado à empresa que executa o empreendimento e aos programas envolvidos na obra de dragagem de aprofundamento.

Praial

A geóloga Célia Regina Gouveia de Souza, consultora da FUNDESPA responsável pelo Programa de Monitoramento Praial, explicou aos participantes da reunião como vem realizando os estudos nas praias de Santos, São Vicente e Guarujá (Goes).

Mensalmente, acompanhada de sua equipe, a geóloga realiza a perfilagem de 33 pontos das praias dos três municípios durante as marés de quadratura. Em cada perfilagem são feitas medições sistemáticas e georreferenciadas dos parâmetros morfológicos do perfil emerso da praia no dia da coleta (entre o limite superior da praia e a linha d’água no momento da coleta) e a coleta de amostras de sedimentos no estirâncio, na profundidade de até 5 cm. Os dados morfológicos compreendem a largura e a declividade de cada segmento praial e de qualquer variação morfológica que ocorra no perfil.

Célia afirmou que no processo de dragagem não ocorre erosão e assoreamento imediatamente. Segundo ela, caso aconteça algum impacto só poderá ser verificado depois de dois anos da obra. A geóloga informou também que dois terços das praias do mundo estão com processo de erosão costeira, por motivos naturais e antrópicos. Nos casos das praias onde ela vem fazendo o monitoramento, as que apresentam risco de erosão, que é anterior ao início da obra de dragagem, são a do Góes e Ponta da Praia.

Siri azul e Parati

Para implantar o Programa de Qualidade dos Organismos Bioindicadores, a equipe técnica escolheu duas espécies encontradas durante todo o ano no canal de acesso ao Porto, que são: o siri azul e o parati. A cada três meses, é feita a coleta e, posteriormente, o material é encaminhado para laboratório com certificação do Inmetro. Todos os resultados foram positivos. Para a certificação desses dados, a CODESP vai manter no Largo do Candinho, localizado no canal de Bertioga, uma área de controle do pescado, já que tem pouca interferência da dragagem.

Com relação ao Programa de Disposição Oceânica de Material Dragado, a consultora da FUNDESPA, Mariana Masutti informou aos conselheiros da APAM Centro, que a área de monitoramento está localizada nas quadrículas onde são dispensados os sedimentos. Explicou que amostras do material são periodicamente coletados e levados para análise química, granulometria e ecotoxicológica. E, no caso da constatação de algum contaminante acima do limite, o descarte será paralisado para a verificação do problema.

Apoio à Comunidade

O último programa apresentado na reunião foi o de Apoio à Comunidade de Pesca. O pesquisador Lúcio Fagundes, consultor da FUNDESPA falou sobre o trabalho que vem sendo realizado nas comunidades de Bertioga, Santos, Guarujá, Cubatão, São Vicente e Praia Grande.

Destacou o monitoramento dos pontos de pesca para a verificação da quantidade de pescado obtida durante a obra de dragagem e a organização de cursos para pescadores, como os de Pescador Profissional (POP) e Marinheiro Auxiliar de Convés (MAC). Fagundes afirmou, ainda, que a FUNDESPA comunicará imediatamente aos pescadores a paralisação da pesca, caso seja detectado algum problema de contaminação.

No encerramento da reunião, o gestor da APA Centro, Marcos Campolim se ofereceu para fazer palestras aos pescadores e afirmou ter ficado satisfeito com o resultado da reunião.


Matéria elaborada em: 15/09/2010

Publicado por: DA REPORTAGEM