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Draga une brasileiros e chineses

Diferença cultural entre asiáticos e latinos não dificulta convivência

A convivência entre os trabalhadores da obra de dragagem do Porto de Santos – brasileiros e chineses – é harmoniosa. Nem a diferença cultural entre os dois países representa alguma dificuldade. Dos cerca de 30 embarcados, 2/3 são provenientes do país asiático, mas a mistura étnica não é barreira para a tripulação das dragas Hang Jun e Xin Hai Hu. Quando não é possível a comunicação verbal, gestos e mímicas são utilizados criando um clima de “boa camaradagem” entre todos.

Depois da permanência no Brasil por mais de um ano, parte da tripulação chinesa da Xin Hai Hu voltou para casa. Agora, nova equipe integra o quadro de trabalhadores. Zhu Ming, que tem 29 anos, é casado e veio de Xangai há oito meses. Com sotaque forte e trocando o “r” pelo “l”, contou em inglês, que a esposa não gosta, mas entende que ele tenha que ficar longe de casa por um longo período. O chinês, que ainda não tem filhos, diz que permanece no Brasil até julho de 2011.

Ming passa oito horas por dia na draga, mas, diferente de alguns colegas de trabalho, não dorme na embarcação. “Vou dormir no escritório da empresa, em Santos”, afirma. Ele diz que está se adaptando ao País e que, nas horas de folga, gosta de correr na praia e passear no shopping.

Cozinheiro da tripulação brasileira, José Carlos Valentim teve oportunidade de conviver com os trabalhadores que já voltaram para China e, agora, com a tripulação nova. Segundo ele, os chineses comem muitos legumes, frutas e peixe feito no bafo e servido quase cru. Valentim conta que alguns, de vez em quando, ficam curiosos e dão “uma beliscada” na comida dos brasileiros. “O pessoal que foi embora já estava acostumado a comer até feijão. O cozinheiro deles cozinhava quase a mesma coisa que eu, no final”, conta animado o jovem de 24 anos.

De acordo com o imediato brasileiro, José Carlos de Jesus, a maior diferença entre chineses e brasileiros está mesmo na disciplina. Segundo ele, todos se unem para resolver os problemas. Jesus afirma também que, embora o asiático seja mais fechado que o latino, a convivência é pacífica e até mesmo divertida.

Estagiários a bordo

Aluna de oceanografia do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), Camila Basílio Antunes é uma das estagiárias que atua na operação da dragagem de aprofundamento. Contratada pela CODESP desde julho de 2010, Camila exerce duas funções básicas na draga Hang Jun. A primeira é a de acompanhamento das coordenadas dos materiais dragados e descartados durante as operações de aprofundamento do canal de navegação portuário. A segunda é auxiliar no monitoramento de ocorrências de tartarugas. “É feito um relatório semanal e junto é enviada uma planilha sobre as observações”, diz Camila.
Augusto Crepaldi de Arruda, também do curso de Oceanografia da Unimonte, estagia para CODESP desde setembro último. O estudante exerce as mesmas funções da colega, mas voltadas para a draga chinesa Xin Hai Hu. “Além dessa principal função, observo se alguma tartaruga está na cisterna da draga”, completa. O convívio com a tripulação chinesa faz parte da rotina do estudante, que afirma não encontrar tantos problemas na comunicação interna. “Nem todos falam inglês, mas tentamos nos comunicar com gestos ou mímicas. Os chineses são educados e agradáveis.”
Além deles, Henrique Viana Pozo e Roberta Antonioli também atuam nas dragas como estagiários contratados pela Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (FUNDESPA).


Publicado por: DA REPORTAGEM